
Apesar de ser usado mundialmente para medir o desempenho econômico dos países, o Produto Interno Bruto (PIB) é um índice capenga. Destruir a Amazônia e transformá-la em móveis, pasto e plantação de soja, por exemplo, parece um bom negócio. Aumenta o PIB, pois ele só leva em conta a riqueza gerada pelos produtos, ignorando a perda dos recursos naturais e os desastres sociais que essas atividades provocam.
Há várias tentativas no mundo de criar índices para medir o quanto uma sociedade está evoluindo, de maneira sustentável, para proporcionar uma vida digna e confortável a todos. Um deles é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), usado pela ONU, que leva em conta o PIB per capita, a longevidade e a educação (avaliada pelo índice de analfabetismo e taxas de matrícula nos vários níveis de ensino).
Mas ... foi no minúsculo Butão, aos pés do Himalaia, que surgiu o conceito de Felicidade Interna Bruta (FIB), que engloba não só crescimento econômico, mas também as dimensões sociais, ambientais, espirituais e culturais do desenvolvimento. Na I Conferência Nacional sobre FIB, realizada em outubro, em São Paulo, Karma Dasho Ura, coordenador das pesquisas sobre a FIB no Butão, explicou como é composto esse índice: “Analisamos as 73 variáveis que mais contribuem para o bem-estar e a satisfação com a vida”. Essas variáveis estão abrigadas em nove itens gerais:
1. Bom padrão econômico
2. Gestão equilibrada do tempo
3. Bons critérios de governança
4. Educação de qualidade
5. Boa saúde
6. Vitalidade comunitária
7. Proteção ambiental
8. Acesso à cultura
9. Bem-estar psicológico
Para Dasho Ura, “a felicidade deve ser o objetivo das políticas públicas do governo”. Também presente no congresso, Susan Andrews, psicóloga e antropóloga americana radicada no Brasil, apresentou exemplos de como a busca pelo crescimento puro e simples pode ser uma boa escolha para os números da economia, mas um péssimo caminho na vida dos cidadãos. “Nos EUA, desde 1950, o PIB aumentou três vezes. Nesse período, o índice de crimes quadruplicou e aumentou o número de pessoas deprimidas e de suicídio entre adolescentes”, comparou.
“Várias pesquisas mostram que o ápice da felicidade, nos EUA, foi durante a década de 1950. De lá para cá, houve degradação não no plano material, mas no imaterial”, disse o coordenador da pesquisa.
Outro palestrante no evento foi Michael Pennock, diretor do Observatório para Saúde Pública em Vancouver, no Canadá, que expôs uma situação semelhante em seu país. “Estamos ficando mais prósperos, mas perdendo a sensação de vida em comunidade. Não somos mais felizes e estamos destruindo o planeta”, disse ele. Ao informar que está em desenvolvimento o Índice Canadense de Bem-Estar, baseado na estrutura da FIB, Pennock afirmou: “Precisamos repensar nossas noções básicas de progresso, pois, a partir de certo ponto, a prosperidade não traz o aumento da felicidade nem do bem-estar”.
(Envolverde/Instituto Ethos)


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